Túnel imerso Santos-Guarujá promete transformar a mobilidade na Baixada Santista

Aracaju (SE), 16 de outubro de 2026.



Na sexta-feira (16), durante a 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea), em Aracaju (SE), o diretor técnico da TSG Concessionária, eng. geol. Ricardo Andrade, apresentou o projeto “Túnel imerso Santos-Guarujá: um novo paradigma da engenharia brasileira”, no auditório Canindé. Mestre em Engenharia Geológica pela Universidade de Coimbra, o especialista acumula mais de 35 anos de experiência em grandes projetos de infraestrutura de transportes e mobilidade urbana.

Durante mais de um século, a construção de um túnel para ligar Santos e Guarujá permaneceu como uma promessa. Agora, essa demanda histórica da população do litoral paulista começa a se concretizar com o projeto do primeiro túnel imerso do Brasil, que pretende transformar a mobilidade na Baixada Santista e fortalecer a conexão com o Porto de Santos. “Vamos construir a primeira infraestrutura inteligente do Brasil. Uma infraestrutura que sente, comunica e decide”, afirmou Andrade. Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, o empreendimento terá 1,5 quilômetro de extensão, dos quais cerca de 870 metros serão submersos no canal portuário. A estrutura será composta por módulos de concreto instalados sob o leito marinho e contará com espaço para veículos de diferentes portes, além de prever a possibilidade de circulação de veículos leves sobre trilhos (VLT).

A adoção de um método construtivo inédito no país impõe desafios técnicos que vão além da execução da obra. O planejamento também precisa considerar os impactos ambientais e as interferências nas moradias, no comércio e na infraestrutura urbana. Para pedestres e ciclistas, a melhoria das conexões entre os dois municípios também é relevante, diante da dependência atual do transporte aquaviário de passageiros.

Mobilidade e logística
Atualmente, a travessia entre Santos e Guarujá depende de balsas ou de trajetos rodoviários mais longos. Segundo os dados apresentados pelo engenheiro, cerca de 21 mil veículos utilizam diariamente a ligação por balsa. O tempo de espera, que pode chegar a 17 minutos em dias comuns, ultrapassa cinco horas durante os períodos de alta temporada.
Com a nova ligação, a expectativa é reduzir o tempo de deslocamento, melhorar a fluidez do trânsito e ampliar a eficiência logística da região. Os benefícios também devem alcançar o Porto de Santos, cuja relevância para o comércio exterior brasileiro se reflete na dinâmica econômica dos cinco municípios conectados à sua atividade. O empreendimento poderá gerar impactos sobre o transporte de cargas, a economia regional e a rotina dos cerca de 2 milhões de habitantes da Baixada Santista. De acordo com Andrade, estão previstas mais de mil contratações ao longo da execução, com um contingente que poderá chegar a 4 mil trabalhadores no pico das obras.

Cronograma
Em 2026, estão em desenvolvimento os projetos funcional e executivo, paralelamente à elaboração de estudos complementares, às tratativas para desapropriações e à obtenção das licenças ambientais necessárias. Para 2027, estão previstas a construção da doca seca, a execução das dragagens preliminares e a implantação dos canteiros de obras. No ano seguinte, serão produzidos os elementos pré-moldados do túnel, realizada a dragagem da trincheira no canal portuário e iniciada a construção das rampas de acesso.
Em 2029, o cronograma contempla a imersão e a instalação dos módulos do túnel, a selagem das juntas e o avanço das estruturas de acesso. Já em 2030, serão executados os acabamentos, instalados os sistemas e realizados os testes operacionais. A entrega do empreendimento está prevista para 2031.

Fernanda Pimentel
Equipe de Comunicação do Confea